Como dissemos, anda-se agora a perseguir, qual "caça às bruxas", as etiquetas do traje, havendo até quem tenha a distinta lata de passar revista ao interior do traje dos estudantes.
Pois é verdade, lamentavelmente.
E que autoridade tem seja quem for para "chumbar" ou "reprovar" alguém em praxe? Mas anda tudo doido?
Mais adiante explicamos esse erro de revistar pessoas dessa forma.
De toda a maneira, sobre essa perfeita idiotice anti-praxe de avaliar pessoas em praxe, o melhor é lerem AQUI.
Alegam que sendo o traje para igualizar os estudantes, as etiquetas estão a ir contra essa ideia, e por isso é preciso retirá-las.
A VERDADE E OS FACTOS
O MITO, A MENTIRA DO TRAJE IGUALIZADORÉ pois o argumento do traje que serve para tornar todos iguais que serve de pretexto para atacar as etiquetas, estejam elas à mostra ou não (para alguns importa é perseguir e pensar depois).
Uma vez mais, e por mais que tentemos desmistificar, ainda encontramos gente que parece viver num enclave onde se alimentam de ignorância e parecem impermeáveis ao saber e ao mundo que os rodeia.
Assim, ainda há quem defenda e ache que o traje existe para igualizar os estudantes, para impedir diferenças entre ricos e pobres.
Mas na verdade, o argumento está errado:
O TRAJE NÃO SERVE PARA IGUALIZAR E NUNCA TEVE ESSE PROPÓSITO.
O ERRO DE REVISTAR O TRAJE NA PROCURA DE ETIQUETAS
Sendo o Código de Praxe de Coimbra o mais antigo (data de 1957), estará, por isso, mais perto da fonte que o inspirou, o mesmo se passando, no caso do Porto, para o projecto de código assinada por Balau e Soromenho, em 1983, com base no de Coimbra, o que dizem eles?
- Sobre passar revista ao traje - proibem determinantemente revista ro interior do traje, apenas sendo permitido revistar o que está á vista e sem tocar.
- Arrancar etiquetas - Nada referem. Por isso não é da Praxe ou Tradição a obrigação de arrancar as mesmas. Não proíbem que se tire, mas não apoiam que se arranquem com a justificação de ser Praxe.
Mas pode o leitor consultar o "Palito Métrico (1746) e Correlativa Macarronea Latino-Portugueza (1765)", de Antonio Duarte Ferrão, (pseudónimo do padre João da Silva Rebello), as "Leis extravagantes da Academia de Coimbra, ou Código das muitas partidas", de Barbosa de Carvalho (1916), e "As Praxes Académicas de Coimbra", de Dinis de Carvalho, Pereira da Mota e Sousa Ribeiro (1925) que são reconhecidamente os documentos que registam a praxis e suas regras ao longo da história. E faça o leitor igual com o "In Illo Tempore" de Trindade Coelho ou qualquer outro documento de referência sobre Tradições Académicas.A praxe prevê uma dose de reserva individual que não pode nem deve ser ultrapassada.
Esta questão do interior do traje é um princípio mais antigo do que qualquer código. É pura questão de bom-senso. Ninguém tem o direito de expor misérias alheias.
Ora se um indivíduo me aparece trajado, partindo do princípio de que não aparece com a roupa vestida do avesso, não tenho hipótese de ver-lhe as etiquetas. Ninguém tem autoridade para mandar outrem tirar o traje - não há código que o sustente, defenda, preveja ou autorize.
(...)
se as etiquetas não são visíveis, não há forma de saber se o teu traje é mais caro do que o meu -a não ser que, para ver as etiquetas do teu traje, eu violente primeiro um princípio básico de praxe: a reserva da privacidade que nem mesmo um veterano pode violar.
E eis a razão pela qual não faz sentido arrancar as etiquetas.
(...)
Não está em causa o tirar ou não, mas obrigar os outros a tirar e afirmar quer isso é praxe - e pior, revistar os trajes dos outros à procura de etiquetas. Isto não só não é praxe como é um atentado à própria Praxe. "[1]
Como está bom de ver, não há base alguma que sustente o retirar das etiquetas como sendo praxe, como sendo obrigatório, muito menos ter a ousada estupidez de revistar a roupa das pessoas.
E pena é que sejam precisamente os líderes dos organismos de praxe e seus ajudantes de campo os primeiros a alimentar a praxe não com rigor e exemplo de saber, mas precisamente com a sua incompetência total e absoluta.Uma vez mais, são os organismos de praxe o veículo de disseminação dessa doentia obsessão, promovendo-o e/ou permitindo-o, para vergonha de todos, desde logo porque contraditório do nível intelectual exigido a quem cursa o ensino superior.
- Então posso arrancá-las?
- PODE, mas nunca por obrigação, por ser praxe ou norma.
- Se me mandarem tirar as etiquetas o que faço?
- Manda essa pessoa pastar já que ela está a ser burra.
- E se me quiser revistar o interior do traje?
-Você recusa e justifica que perante assédio faz queixa na polícia (e faz mesmo), além de ser norma anti-praxe.
Nota:o que aconselhamos é que não tirem a etiqueta do traje, apenas e só pela garantia que conferem ao mesmo. Se por uma qualquer razão pretenderem fazer um arranjo ao traje na casa onde o compraram, convém ter a prova de que foi lá adquirido e a etiqueta existe precisamente como garante de tal.
[1] In grupo "Tradições Académicas&Praxe" do FB [em linha], tópico "Praxe da etiqueta", em 26 de Outubro de 2014.

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